A Semana Nacional de Educação Financeira e sua importância para o Brasil.

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Lélio Braga Calhau. Promotor de Justiça de defesa do consumidor do Ministério Público de Minas Gerais. Graduado em Psicologia pela UNIVALE. Mestre em Direito do Estado e Cidadania pela UFG-RJ. Coordenador do site e do Podcast “Educação Financeira para Todos”

 

 De 09 a 15 de março, acontecem em várias cidades no Brasil, atividades que compõe a “2ª Semana Nacional de Educação Financeira”, a qual é uma importante iniciativa do Comitê Nacional de Educação Financeira (CONEF) para promover a Estratégia Nacional de Educação Financeira no país.

A Educação Financeira nunca foi tão divulgada pela imprensa e comentada nas mídias sociais. E o motivo é óbvio! As pessoas tem dívidas, muitas por sinal, e isso leva a situações de conflitos sociais, que ultrapassam a simples questão de se ter um débito civil a pagar.

Buscamos construir no Brasil uma sociedade justa e com o número mínimo de conflitos. Eles existem e sempre existirão, mas podemos reduzir  uma parte de contendas se atacarmos as causas, e não apenas as consequências. Parte desses conflitos, envolve, invariavelmente, a relação das pessoas com o dinheiro, suas percepções e o endividamento muito elevado do povo brasileiro.

Como promotor de justiça e após quinze anos no Ministério Público, presenciei inúmeros divórcios, agressões entre vizinhos, parentes e amigos, envolvimentos com o crime, que surgiram por conta de divergências envolvendo dinheiro, expectativas irrealizáveis e, em especial, o endividamento.

Não é incomum, que as pessoas que militam no fórum, ás vezes comentem que os motivos dos conflitos interpessoais de dois mil anos atrás, são, em resumo, os mesmo motivos que hoje incrementam, de alguma forma, a violência no Brasil e o dinheiro sempre aparece, de forma sutil ou bem ostensiva, num grande número de confusões.

O consumidor endividado é alvo fácil para uma série de pessoas mal intencionadas, e, em muitos casos, para sair provisoriamente de um sufoco financeiro, se metem em uma situação muito pior (ex: como recorrer a agiotas) do que a que originou a dívida. Precisamos sim, educar financeiramente a população, com o objetivo de prevenir essas situações negativas e ajudar a construir os sonhos de cada um. As pessoas não querem só viver pagando dívidas; elas querem ser felizes e alcançar sonhos. Nesse sentido, saber lidar com responsabilidade financeira é fundamental para isso.

Por fim, a iniciativa da “2ª Semana de Educação Financeira” é válida e deve ser aplaudida pelo mérito de seus organizadores, bem como adotada como “política pública” pela União, Estados e Municípios, como uma ação de interesse público primário da sociedade, evitando-se que, interesses particulares, se apropriem dos verdadeiros objetivos e que o conhecimento da Educação Financeira seja massificado, em especial, para as pessoas de baixa renda, que são as maiores vítimas do elevado endividamento social, que presenciamos no Brasil hoje.

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