Pesquisa mostra principais gastos das famílias endividadas

Rádio Nacional – A prosa de hoje começa com a seguinte informação: 63,7% das famílias que recebem até dez salários mínimos estão endividadas. Está acima da média geral, que é de 62,4%. 78,1% delas dizem que é por causa da cartão de crédito, que não souberam controlar. E 21,9% sabem que mais da metade da renda deles a dívida já comeu. A pesquisa é da Confederação Nacional do Comércio. Mas tem mais. Vamos nessa.

Se a gente pegar a última pesquisa do Banco Central sobre endividamento das famílias, a taxa cai para 27,61% Mas tem o seguinte. Nesta pesquisa não entra a dívida no pagamento da casa própria. Se colocar, porque, afinal é dívida que entrou no lugar do aluguel, o endividamento geral pula para 46,3%, pelo Banco Central.

Então, vamos fechar as contas com a pesquisa da CNC, Confederação Nacional do Comércio. O Banco Central também não leva em conta as dívidas feitas em crediários das lojas porque não considera que sejam operações de crédito. Em frente.

Agora em cima da pesquisa mais completa, do Comércio. 63,7% é das famílias endividadas com renda abaixo de dez salários mínimos. 23,4% dessas dívidas estão em atraso. Tem mais. 12,5% confessam que estão muito endividadas mesmo. E 7,4% dizem que vão continuar inadimplentes, ou seja, não tem a mínima condição de pagar a dívida e muito menos renegociar. Aliás, de um  modo em geral, este é o grande receio dos especialistas. Que aumente a inadimplência por causa da crise na economia.

A prosa de hoje é sobre as  famílias  endividadas com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro, seguros e casa própria. Neste caso do financiamento da casa, se pegar as famílias com renda acima dos dez salários mínimos, 17,1% tem carnê para pagar todo mês. Para as famílias dessa classe mais alta, 27,5% têm financiamento do carro.

Já entre aquelas com renda acima de dez salários mínimos, os principais tipos de dívida apontados em maio de 2015 foram: cartão de crédito, por 71,2%, financiamento de carro, por 27,5%, e financiamento de casa, por 17,1%. Cai para 10,3% no casos das famílias com renda menor. Em compensação, como disse no começo da prosa de hoje, são as que estão mais endividadas no cartão de crédito, fácil de usar, mas difícil de pagar.

Então, tá.

É como diz o especialista em educação financeira para todos, Lélio Braga Calhau. Não adianta você ganhar mil reais se você gasta mil e quinhentos. Certo, economista?

Sonora: “É um outro problema que nós, brasileiros, temos que enfrentar. É questão de atacar o padrão de consumo. Não adianta a gente ganhar R$ 1.000 e gastar R$ 1.500 ou ganhar R$ 3.000 e gastar R$ 5.000. Isso vai levar a um problema, que você vai quebrar. Você não tem como sustentar isso a longo prazo. O brasileiro tem que entender que ele tem que viver dentro das possibilidades. Para educação financeira, viver dentro das possibilidades não é ganhar R$ 1000 e gastar R$ 1000. É ganhar R$ 1000 e gastar R$ 900. R$ 100, 10%, é a sua reserva financeira. É a hora em que acontecerem mudanças na economia, na hora que um parente passar mal, na hora que você ficar desempregado de uma hora para outra, você tem a reserva financeira ali guardadinha”.

Trocando em Miúdo: Programete sobre temas relacionados a economia e finanças, traduzidos para o cotidiano do cidadão. É publicado de segunda a sexta-feira.

http://radioagencianacional.ebc.com.br/economia/audio/2015-06/pesquisa-mostra-principais-gastos-das-familias-endividadas

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