Os mitos do dinheiro - Entrevista com Gabriel Torres

Os mitos do dinheiro – Entrevista com Gabriel Torres (livro de Educação Financeira)

Os mitos do dinheiro – Entrevista com Gabriel Torres (livro de Educação Financeira)

Gabriel Torres é um escritor, jornalista, professor e empresário brasileiro, especializado em tecnologia da informação.É criador e editor executivo do site Clube do Hardware, além de ser autor de 25 livros, vários deles figurando nas listas de best-sellers. Foi considerado, pela revista ISTOÉ Dinheiro, o “Paulo Coelho do Hardware”. Recebeu, em 2001 e 2003, Moção de Aplausos e Congratulações da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro “pelos inestimáveis serviços prestados à informática brasileira”.

Gabriel é autor do livro “Os Mitos do Dinheiro” e nos concedeu essa entrevista com informações bacanas sobre o assunto.

  1. De onde surgiu a ideia de escrever “Os mitos do do dinheiro”?

No caminho da minha independência financeira, minha visão de mundo mudou completamente, e comecei a ver como as pessoas continuavam cometendo os mesmos erros e, mesmo assim, realmente acreditavam que iriam ter sucesso financeiro, embora estivesse claro para mim que elas estavam caminhando para o abismo financeiro.

Por isso, surgiu a ideia de escrever um livro onde eu contasse não só a minha visão de como “chegar lá”, mas dar as dicas mais importantes sobre o que eu aprendi no caminho.

  1. Você é oriundo da área de informática. Você acredita que a educação financeira funcione de verdade?

Claro, do contrário não estaríamos tendo este papo (risos). E eu sou a prova viva que funciona, pois eu vivia no vermelho, apertado de grana e tomando decisões de consumo completamente equivocadas, até começar a estudar o assunto com afinco (a partir de 2001) e atingir a minha independência financeira (o que ocorreu em 2008).

  1. Há materiais fantásticos na internet sobre Educação Financeira, inclusive alguns são gratuitos, como a TV Educação Financeira, criada e mantida pelo BOVESPA. Por que o brasileiro ainda se preocupa tão pouco com o assunto?

Há vários fatores, na minha opinião. Creio que o mais forte seja a cultura brasileira, onde as pessoas acham que outra entidade (o governo, o patrão ou os seus pais) é que têm de resolver os problemas financeiros delas. Ainda falta muito para o brasileiro médio se dar conta que ele é quem deve tomar as rédeas de sua própria vida financeira.

Um exemplo atual bastante ilustrativo é a reforma da previdência. A maioria das pessoas está reclamando das mudanças em vez de se dar conta que seria muito melhor simplesmente acabar com o INSS e pegar o dinheiro que deveria ser pago ao INSS e investir por conta própria: no momento da aposentadoria, teriam uma enorme reserva financeira com alta liquidez com um rendimento muito superior ao da aposentadoria.

Obviamente sei que esta é uma ideia radical visto que o povo não tem educação financeira e provavelmente torraria todo o dinheiro ou então não faria os investimentos mensais necessários. Mas veja que os próprios governantes partem da premissa paternalista que o governo precisa tomar conta do povo, desmerecendo a capacidade das pessoas de tomarem conta de si próprias.

  1. Fale mais sobre por quê tão poucas pessoas conseguem o sucesso financeiro, haja vista que o conhecimento está muito mais disponível hoje quando comparamos com a situação de 30 anos atrás.

O caminho da independência financeira é um estilo de vida de longo prazo, e é necessário fazer ajustes importantes em nossas vidas. A maioria das pessoas é imediatista, não pensa no longo prazo e/ou não quer realizar as mudanças que são realmente necessárias. São necessárias muita paciência e muita disciplina.

No meu caso, que não posso dizer que seja típico, eu demorei sete anos entre começar a estudar sobre independência financeira (e mudar radicalmente meus hábitos de consumo) e de fato atingi-la. Outras pessoas poderão demorar dez ou quinze anos para atingir este objetivo, o que inclui viver com um padrão de consumo abaixo do que estão acostumadas. É um sacrifício enorme, e a maiora das pessoas desiste no meio do caminho.

  1. Como é ser um nômade digital e viver com o uso racional de bens e valores? É possível viver assim no longo prazo?

O conceito de “nômade digital”, que pouca gente conhece, é viver viajando e trabalhando a partir de um laptop. Eu vivi apenas seis meses assim, mas conheço um casal que vive dessa forma há mais de cinco anos (veja em https://casalpartiu.com.br). No meu caso, o principal problema é que resolvi fazer isso sozinho, e em seis meses vi que não poderia continuar devido à solidão.

O mais importante que eu aprendi nessa experiência foi justamente que não precisamos ter tantas coisas para termos uma excelente qualidade de vida. Vivendo como nômade, não podemos comprar muitas coisas, pois é um entrave na hora de nos mudarmos para o próximo destino. Com isso, a experiência de estarmos em um local diferente, com uma cultura completamente diferente, e as pessoas que conhecemos passam a ser o mais importante.

  1. Uma pergunta polêmica: comprar imóvel é negócio no Brasil na sua visão?

Depende muito dos seus objetivos, do seu grau de disciplina, quão confortável você se sente “morando de aluguel” e também dos números na região onde você mora. Eu prefiro ter o dinheiro que compraria um imóvel investido, pois com os rendimentos eu consigo pagar o aluguel e sobra, e esta sobra é reinvestida de forma que meu patrimônio continue crescendo acima da valorização do imóvel, além de eu ter liquidez imediata, não estar à mercê do mercado imobiliário e poder me mudar com maior agilidade. Em minha opinião, comprar imóvel vale a pena se você não for uma pessoa disciplinada para investimentos e pretende morar no mesmo imóvel por mais de uma década.

Obviamente outras pessoas terão uma opinião diferente da minha, mas isso é bom também. O importante é você formar a sua própria opinião do que realmente serve para você. O caminho da educação financeira é diferente para cada um de nós, pois cada um tem uma história de vida e um nível de disciplina diferentes.

Obrigado pela entrevista !

 

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