Investimentos: qual caminho escolher ? - Daniel Nigri (Dica de Hoje)

Investimentos: qual caminho escolher ? – Daniel Nigri (Dica de Hoje)

QUAL CAMINHO ESCOLHER?

 

Hoje eu resolvi escrever uma história. Podem ficar tranquilos que não irei fazer isso sempre. E sei que muitas pessoas gostam do meu jeito direto e simples de escrever as coisas. Não pretendo escrever em 10 páginas o que eu poderia escrever em 4. Mas acredito que essa história será importante para entendermos que tipo de investidor queremos ser. Afinal, sem isso, investir não faz diferença alguma.

Vamos imaginar quatro amigos, que precisam sair da cidade A e precisam chegar na Cidade B, em no máximo 24 horas para uma reunião muito importante. O André, resolve ir para a cidade B de trem (aqueles trens de alta velocidade que cruzam a Europa toda, e que não tem incentivo no Brasil). Afinal ele gosta de ter uma ideia melhor de quando ele vai chegar ao destino. E neste trem ele tem além de conforto e a confiabilidade de horário muito grande. A chance de ocorrer problemas que poderiam acarretar em atrasos é pequena e difícil de acontecer. Inclusive na passagem do trem já aparece que a previsão de chegada é em 14 horas. Ainda sobram 10 horas para qualquer imprevisto.

O segundo amigo, o Paulo, resolveu ir de ônibus. Um ônibus leito bem confortável, que a poltrona reclina e ele pode dormir confortavelmente a noite. No entanto, de ônibus, existem diversos motivos que podem atrasar a viagem. Uma batida, Fortes chuvas, Um transito fora do normal, manifestações que fechem a via, ônibus poderia quebrar no meio da estrada com uma frequência maior que a do metrô. A previsão de chegada é de 14 horas também, mas ele sabe que se o trânsito tiver bom, o ônibus pode chegar em 13 horas mas se ocorrer vários problemas o ônibus poderia chegar em até umas 20 horas. Mesmo na pior das hipóteses, o Paulo chegaria ainda com uma sobra de quatro horas.

Já o terceiro amigo, o Diogo, Resolveu ir de avião. O avião percorre todo o trajeto em apenas 4 horas. Mas da cidade A só sai um avião por dia para a Cidade B. O tempo de 4 horas é o tempo líquido de viagem, da hora que o avião decola até a hora que ele pousa. Mas, temos várias horas que são gastas, indo até o aeroporto, fazendo check-in (talvez), despachando a mala, e aguardando o horário do embarque, depois quando chega ao destino, pegar as malas, tomar um táxi  e ir até o local da reunião. Correndo tudo bem, o Diogo imagina que ele pode fazer todo esse trâmite em 7 horas, mas se o tempo ficar chuvoso e não sair o avião, ele teria que esperar o dia seguinte e aí ele perderia a reunião, ou se não ele teria que sair do aeroporto depois de umas três horas de espera e tentar ir de ônibus ou de trem. Ainda poderia ser pior, o avião decola, no meio do trajeto começa a chover muito e o aeroporto da Cidade B fecha, obrigando o avião a voltar para a Cidade A ou pousar em uma Cidade C. Portanto Diogo acredita que ele pode chegar na melhor das hipóteses em 7 horas no destino e na pior das hipóteses em cerca de 30 horas, o que o faria perder a reunião. Mas ele considera o risco tão pequeno que ele aceita correr, em troca de chegar tão mais rápido ao seu destino.

Já o quarto amigo, o Ricardo resolve ir de carro. Ele sabe que precisará dormir a noite e que precisará parar algumas vezes, mas mesmo assim ele prefere ir dessa forma. Ele nem pensa em quanto tempo ele deve demorar pra chegar lá. A única coisa que importa é que ele vai para a reunião e irá tentar chegar a tempo.

Olhem os gráficos dos amigos para a melhor das possibilidades.

 

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O Ricardo, acabou não chegando no objetivo. Ele não se preparou pra esse fim. Ele não se preocupou nem em pensar se aquela opção por mais que fosse a que ele mais gostasse faria com que ele chegasse ao objetivo que era chegar a reunião em 24 horas.

 

Mas onde entram os investimentos nisso tudo?

O objetivo de 24 horas é a quantidade de anos que pretendemos trabalhar até o momento que iremos ou parar de trabalhar, ou trabalhar por hobby e fazendo o que gosta apenas para não ficar parado. Afinal você não precisa mais ganhar dinheiro. Você já chegou ao seu objetivo e sua estabilidade financeira foi alcançada. (Desculpa repetir a palavra trabalhar três vezes na mesma frase.)

O período de duração da ida a Cidade A para a Cidade B, é o tempo de duração que iremos investir. Veja que eu poderia colocar um quinto amigo, que resolveu ir para a reunião só depois de 15 horas. Você não é obrigado a começar agora a investir e a poupar dinheiro, mas se você demorar mais, você pode não chegar na reunião a tempo (objetivo).

E finalmente os amigos, são as diversas possibilidades que temos de investimentos.

Vamos começar pelo Ricardo. O Ricardo é o típico investidor de poupança. Aquela pessoa que não quer nem se preocupar com investimentos. Inclusive ele acha que falar sobre isso é muito difícil. É quase um tabu pra ele. No máximo ele aplica em alguns CDBs que o gerente do banco dele mostra pra ele e que rendem um pouquinho a mais que a poupança. O Ricardo não chega no objetivo, porque a aplicação dele, às vezes perde até mesmo da inflação, e o ganho da poupança frente ao IPCA nos últimos 8 anos é pífio. Cerca de 1% ao ano de ganho real. Com essa rentabilidade dificilmente você conseguirá ter uma aposentadoria financeira tranquila. Os descansos dessa aplicação no gráfico, é o fato de que é um investimento que só rende no vencimento (aniversário).

No gráfico abaixo conseguimos ter uma ótima ideia com relação a isso. O gráfico significa que o Ricardo, mesmo ganhando R$ 6000,00 mensais conseguiu poupar todo mês R$ 1500,00 (25% do total do seu salário) para investir. Mas ele investiu tudo na poupança com ganho acima da inflação de apenas 1% ao ano. Depois de 30 anos ele resolveu sacar R$ 4500,00 por mês (valor que ele gasta efetivamente). Veja o que aconteceu? Em treze anos o dinheiro dele acabou!

Irei utilizar os mesmos parâmetros com os outros.

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Já o André, que andou de trem, tem um perfil de quem busca as melhores opções de investimento, que não incorram em riscos. Ele quer sim ganhar o máximo possível. Mas ele não quer ver o saldo dele no negativo. Neste perfil estariam, Tesouro Direto (Tesouro Selic), Pré-fixados 2019 e 2020 e Tesouro IPCA 2024 (os de prazos curtos), CDBs, LCA, LCI de instituições com rating A pra cima. Além de outros títulos atrelados ao CDI, mas de grandes instituições.

Com isso, o André ganha entre 5% e 6% ao ano além da inflação. Assim o gráfico dele fica conforme mostrado abaixo, e o dinheiro dele usando as mesmas premissas de salário e de economia não é consumido nunca. Ele poderia até aumentar o padrão de vida dele se ele quisesse consumir tudo que ele ganha.

 

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Vejam que mesmo com títulos sem risco e sem oscilação. Apenas mudando um hábito e um pensamento, o André juntou nos mesmos 30 anos 1,3 milhão contra 630.000,00 do Ricardo.

O terceiro amigo, o Paulo, aquele que foi de ônibus, ele aceitou alguma oscilação na viagem dele em termos de tempo, portanto é um investidor que aceitaria um pouco de oscilação na carteira dele. Seria um investidor, que já aceitaria os títulos mais longos do Tesouro Direto, como o prefixado 2023 e o IPCA 2035, 2045 ou 2050. Este investidor já aceitaria investir em FIIs e até um pequeno percentual como 10% a 20% em ações de empresas de grande porte (menos voláteis). E parte da carteira estará em títulos como o do André também, mas até uns 30%. É o que chamamos de perfil moderado. O investidor arrisca um pouco o seu futuro para conseguir uma rentabilidade um pouco maior

Certamente alguns anos ele terá desempenho pouco negativo na sua carteira, mas uma média de 6,5% a 7% acima da inflação vai deixá-lo feliz e com uma aposentadoria bem mais digna. Observe uma das simulações do gráfico. Observem como tem anos que o valor cai, principalmente após os saques. O que não ocorria com o André. Por isso, que na velhice é importante ir ficando cada vez mais conservador nas aplicações.

O Paulo juntou nessa simulação quase 1,5 milhão de reais, até iniciar o período de saques.

 

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E por fim, temos o perfil do Diogo. Que é um perfil mais agressivo. O que não quer dizer que ele vá operar full time opções e ações de alto risco. Ele aceita perder até bastante em alguns anos, em troca de ter anos com retornos de 40% ou 50%. É o perfil que demanda maior tempo de estudo ou de assessoria com um profissional credenciado. Para mais informações pode entrar em contato comigo em dicadehoje7@gmail.com

Este investidor em 30 anos, colocando uns 50% em ações e o restante em títulos mais longos, e apenas o fundo de emergência em ativos livres de risco e com muita liquidez, pode conseguir cerca de 8% a 10% acima da inflação, no entanto, variando entre -20% e mais 40% por exemplo. Precisa ter estômago para perder às vezes dois a três anos seguidos e permanecer na estratégia.

 

Veja abaixo o gráfico de uma das simulações:

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Tiveram simulações que esse investidor chegou a 40 milhões de reais em 46 anos. Porque até depois de começar a sacar o dinheiro, este continua aplicado assim como em todos os outros amigos. Nesta simulação o dinheiro total acumulado durante a vida, chegou a 3 milhões até a aposentadoria e depois chegou a 7 milhões já sacando o dinheiro. Certamente esse investidor, assim como os dois anteriores não iriam sacar apenas os R$ 4500,00 por mês.

 

Então, Qual o jeito certo?

Essa talvez seja uma das perguntas que mais me fazem e que mais se chateiam quando eu respondo.

“O jeito certo depende de você.”

Quando eu começo uma assessoria eu pergunto pra pessoa quais os objetivos dela, como ela encara perder dinheiro, quantos anos ela deve deixar o dinheiro investido. Quanto da renda mensal sobra, se a pessoa já tem fundo de emergência. Dentre outras coisas.

Então não adianta me mandar uma mensagem assim. “Tomei coragem, vou comprar Cemig, Ambev, itausa, Rail e Eztec. Minha carteira está boa?”

Sem eu conhecer todas aquelas questões do parágrafo anterior eu não tenho como responder. Posso dizer que tenho alunos que seguem a risca planos somente com renda fixa e estão felizes da vida. Ganhando bem. Tem outros que seguem planos com ações e também estão ganhando. Outros que têm planos para gerar renda recorrente, seja em dividendos, fiis ou com cupons de juros. O grande problema é quando a pessoa mente pra ela mesma. Ela diz que aceita correr risco das ações e quer montar uma carteira, aí a gente monta. No primeiro dia a bolsa cai 1,2% e a pessoa me manda mensagem dizendo que a bolsa está “despencando”.

Gente se você não está preparado pra em um dia ver seu dinheiro ser reduzido em 1,2% ou em 1 ano cair 10% ou 20%. Não compre ações!!!! Afinal, pode cair muito mais.

Se você tiver esse perfil, A chance de você vender no pânico com prejuízo é enorme e depois de alguns meses vai ver que aquela ação subiu.

Não é vergonha comprar Renda Fixa. Ainda mais no Brasil. Na minha visão vergonha é você mentir pra si mesmo. É tentar fingir ser o que você não é.

Concluindo em uma frase: Tirando o jeito da poupança, todos os outros estão certos, depende do perfil do investidor, dos objetivos e do prazo de resgate.

Galera, desculpa aí se eu peguei pesado nessa conclusão. Mas eu escrevo os artigos como se eu tivesse conversando com vocês. E me deixa bem chateado ver pessoas inteligentes se sabotando. Aproveitando queria dizer que agora terça feira começa a Semana do Investidor e vale a pena se inscrever para assistir aos vídeos gratuitos.  Eu mesmo irei assistir. Afinal conhecimento nunca é demais.

Daniel Nigtri

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