Por favor, me ajude. Como faço para levantar urgente um dinheiro ?

Por favor, me ajude. Como faço para levantar urgente um dinheiro ?

Por favor, me ajude. Como faço para levantar urgente um dinheiro ?

Comentar com outras pessoas que se está apertado financeiramente não é uma experiência agradável. Dói chegar para pessoas conhecidas e compartilhar as angústias de terem contas chegando e não haver dinheiro em caixa para quitá-las. Quem conhece o “trauma” de ter um cheque devolvido por falta de fundos ? A sensação de tristeza nos avassala nessas situações.

É um sentimento de impotência, uma frustração enorme e dolorosa com o resultado de decisões financeiras anteriores precipitadas ou feitas (em alguns casos) com indicações de pessoas mal intencionadas e que se revelaram, após meses ou anos, desastrosas. Isso pode afetar a todos nós.

Basta uma compra mal avaliada (ex: financiamento de veículo) ou um comportamento compulsivo de compras a médio prazo, para se instalar uma pandemônio na vida do devedor e de toda sua família. Temos, então, que nos “policiar” sempre para que nosso equilíbrio financeiro seja mantido. E se temos família para tomar conta, esse cuidado não deve ser apenas redobrado; deve ser muito mais intenso ainda.

Eu sempre ouvia pessoas próximas comentando isso. Todos nós conhecemos casos e casos, que ocorreram em nossas vidas (e de nossos amigos e familiares). Ultimamente está acontecendo algo mais doloroso comigo. Pelo fato do nosso trabalho de divulgar a educação financeira e os direitos dos consumidores estar ficando mais conhecido, tenho sido abordado por pessoas na minha cidade, nos fóruns e em eventos do meio jurídico por pessoas muito endividadas.

Há gente endividada com todo o tipo de renda. Para muitos, a queda surgiu por conta do elevado padrão de consumo, para outros com nomes mais diversos (e motivos mais confusos) a ostentação, a “curtição”, o compromisso único com o presente (em detrimento do futuro), são apenas alguns dos exemplos.

Lancho numa pequena padaria perto da minha casa. É um “pastel de vento” de queijo e um refrigerante. Sei que a combinação não é saudável, mas é simples e remete à minha infância. Eu estou ali sentado e quase sempre é do mesmo jeito. As pessoas se aproximam e pedem conselhos financeiros. Vejo nos olhos deles a frustração e a dor de terem colocado a família a uma situação de grave endividamento. É triste ver isso nos olhos das pessoas.

Alguns estão marejados, outros escondem a dor e a vergonha de estarem com dívidas não honradas. Ao contrário do que se ventila, há muita gente honrada neste mundo e há pessoas em desespero por conta de estarem quase “quebradas”. Como promotor de justiça posso fazer muito pouco, já que o Ministério Público não atua judicialmente nesses casos. Mas, como ser humano, ouço e recomendo que a pessoa procure advogados, contadores (ajudam muito a calcular novas possibilidades)  ou defensores públicos.

Pense muito antes de fazer um gasto fora da sua realidade. Juventude passa, dinheiro voa e os “amigos” somem. Muita gente que ostentava há 20 anos atrás (ou menos) está hoje na rua da amargura.

Se você foi colhido nessa situação de forte endividamento não se entregue. Levante a cabeça. Vai dar trabalho, mas procure especialistas e renegocie (troque dívidas por outros empréstimos mais baratos). Procure manter a clama (entrar em desespero só atrapalha pensar em soluções). Venda o que tiver, quite ou amortize as dívidas. Faça “bicos”, ou seja, trabalhe fora do horário em outras atividades. Não desanime.

Os chineses dizem que crise abre portas para oportunidades. Toda crise em que me envolvi na vida, de algum modo me serviu para crescimento e amadurecimento. Saí muito mais forte e maior depois de vários eventos negativos financeiros no passado. Não desanime e respeite o ditado popular de que o dinheiro não aceita desaforo. Sua família vai lhe agradecer sempre !

Lélio Braga Calhau é promotor de Justiça de defesa do consumidor do Ministério Público de Minas Gerais. Graduado em Psicologia pela UNIVALE. Mestre em Direito do Estado e Cidadania pela UFG-RJ, palestrante e coordenador do site e do Podcast “Educação Financeira para Todos”.