Até onde uma ação pode subir – Daniel Nigri (Dica de Hoje)

Até onde uma ação pode subir – Daniel Nigri (Dica de Hoje)

Até onde uma ação pode subir.

Eu nem iria escrever sobre isso essa semana, mas um evento me chamou muita atenção essa semana.

Diz respeito as ações da empresa de energia elétrica Renova.

A ação mais líquida da empresa é Rnew11 (na verdade é uma Unit).

Veja abaixo o gráfico do preço da empresa nos últimos 2 meses.

 

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A partir do dia 27/03/2017, as ações da empresa, que chegaram a mínima de R$ 3,78 começaram a subir vertiginosamente, por causa, de um fundo chamado Brookfield que iria comprar parte da empresa e injetar capital na mesma. Este fundo compraria participação da Light na empresa. Vê-se que nos dias seguintes a essa notícia as ações começaram a subir com um aumento grande do volume e chegou a ser negociada a quase R$ 10,00, no dia 04/04/2017. Um aumento superior a 270% em apenas uma semana.

Neste momento, eu já tinha percebido que os grupos, e chats de investimentos estavam alvoroçados com Renova. Assim como ficaram em fevereiro com CSU Cardsystem (Card 3), em Janeiro com Sanepar, com PDG, com Springs Global (sgps) dentre outras. Neste mesmo momento fiz questão de avisar ao grupo de apoiadores que já tem 50 pessoas no whatsapp.

Como vocês podem ver eu avisei da possível queda no ultimo dia de alta. Eu acabei avisando da empresa utilizando como exemplo a ação preferencial que teve alta inclusive mais expressiva. Superior a 1000%. Mas que da máxima já devolveu bastante.

Agora eu vou explicar porque eu já imaginava que a ação não podia se manter em patamares tão altos.

Vocês devem se lembrar que eu escrevi semana passada sobre analisar empresas lucrativas. Se você não leu, ou é novo no site, clique aqui.

Antes disso também já tinha escrito sobre como analisar uma empresa a partir do histórico do preço/lucro de uma determinada empresa. Neste artigo. 

Sabendo disso vamos analisar como está a empresa em questão. Vamos ver a lucratividade dela. Observe a foto abaixo retirada do site do Guiainvest.

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Esta foto é do fechamento de quinta feira dia 06/04, momento que estou escrevendo esse artigo. Realmente não sei o que irá acontecer na sexta feira. Mas percebemos pela foto que é uma empresa que tem prejuízos constantes e que se tornaram crescentes no ano de 2016. Sempre que uma empresa gera muito prejuízo, é fundamental observar seu patrimônio líquido e seu endividamento. Como podemos observar na foto abaixo, retirada do site. 

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No gráfico de baixo, vemos que o patrimônio líquido da empresa vem caindo fortemente desde o terceiro trimestre de 2015, quando atingiu seu auge, e alcançou uma cifra perto de 3 bilhões de reais, desde então os prejuízos constantes e crescentes, reduziram o patrimônio líquido (capital próprio dos acionistas), Este foi reduzido para pouco menos de 2 bilhões de reais ao fim de 2016. Uma perda de 33% do Patrimônio líquido em pouco mais de 1 ano. Isto é realmente um fato preocupante.

Em contrapartida, a dívida da empresa, aumentou de 2 bilhões de reais na metade de 2015, para cerca de 2,8 bilhões de reais, sendo quase a totalidade de curto prazo, ao fim de 2016. Percebemos também que a dívida líquida (dívida bruta menos dinheiro em caixa) é quase do mesmo tamanho da dívida bruta, o que mostra que a empresa tem pouco dinheiro em caixa para ter frente a uma dívida tão alta. A relação dívida bruta / Patrimônio Líquido, já é superior a 140%. Por isso, o mercado ficou tão contente com a entrada de um novo sócio que iria colocar dinheiro novo na empresa.

Só que quando a ação chegou em R$ 9,85, valor máximo do dia 05/04/2017, chegou a ter 0,6 x Preço/Valor Patrimonial. Só para efeito de comparação, a empresa Copel que também é do setor de energia elétrica, tem um indicador preço / Valor Patrimonial por ação de 0,5x. A empresa EDP Energias do Brasil, tem um P/VPA de 0,9x. E todas essas citadas fecham sempre os resultados anuais com lucros.

A empresa Celesc distribuidora de energia de Santa Catarina, tem um indicador de 0,3x Preço/Valor Patrimonial e ela gera às vezes, prejuízo, mas são prejuízos bem pequenos comparados a esses de Renova. Além disso, seu endividamento é de apenas 38% o valor do Patrimônio Líquido contra 143% de Renova.

Por todos esses motivos citados, sabia que seria impossível que Renova continuasse subindo mais ainda. Mesmo com dinheiro novo e com uma melhora na perspectiva, não podemos inflar tanto o preço de uma ação. Afinal realizar um turn around, como Renova precisará fazer não é a tarefa mais fácil do mundo.

Para terminar, vou mostrar alguns gráficos de algumas empresas que tiveram momentos de especulação forte no inicio desse ano de 2017. Vejam no gráfico abaixo o desempenho de Card3. A empresa estava sendo negociada em torno de 4,80 no início do ano. De 14/02 a 06/03, ou em apenas 12 pregões, a ação saiu de R$ 6,63 e chegou em R$ 14,50. O problema é que essa alta, elevou o Preço/Lucro de 7,80 que era um preço super atrativo, para incríveis 17,14 em apenas 12 dias de negociação. Obviamente, esse patamar de preço / Lucro não se sustenta, para uma empresa do perfil de Card3 e do setor de Card3. Logo ela caiu e hoje ela já voltou para a casa de R$ 9,50.

 

Veja agora o exemplo de PDGR3, uma empresa em recuperação judicial, que desde a alta em que chegou a R$ 4,63 em 18/01/2017, ela só caiu. E hoje é negociada em quase R$ 2,00. Uma perda de 57% em apenas 2 meses.

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Concluindo

E para terminar gostaria de dar um conselho a todos vocês. Evitem essas ações que podem até ser boas, mas que por qualquer motivo em um curto período de tempo virou muito especulativa.

Essas ações dificilmente nos trazem resultados positivos no Longo prazo, porque sempre que percebemos essa alta estamos atrasados.

Ela já começou a ocorrer há alguns dias normalmente. Eu sinceramente acredito que o lucro no mercado de ações está no lucro das empresas, ou na transformação de uma empresa deficitária em uma empresa lucrativa. Seriam os casos de turn around. Mas investindo dessa forma dificilmente você terá uma valorização de qualquer ativo em 100% como esses gráficos que vimos aqui.

Agora gostaria de fazer duas perguntas. Se você tivesse comprado PDGR3, ação indicada neste último quadro.

Suponhamos que você tenha conseguido comprar em R$ 1,17, o que é quase impossível acertar o fundo da ação. Então vamos supor que você comprou essas ações por R$ 1,40. Dificilmente você deixaria a ação chegar até o R$ 4,63.

Vale lembrar também que seria quase impossível uma saída certa nesse valor.

A mesma dificuldade que encontramos pra acertar o fundo para comprar uma ação quando está descontada ao máximo, temos na venda de uma ação para achar o topo também e tentar auferir o maior retorno possível. Vendo o gráfico depois que já aconteceu é muito fácil.

Obrigado a todos por participarem e por terem lido esse artigo até o fim.

Abs

Daniel Nigri CNPI.

Daniel Nigri

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